quarta-feira, dezembro 29, 2021

"And then, a guy comes with a shotgun and ends up with all this xingxong fight instantly."

Era isso que eu ia escrever numa postagem do estragram que mostrava a filmagem dum genérico do feíssimo Bo-Lo Yeung fazendo umas defesas lá, daquelas coisas de kungfu, etc. e tal. Afinal de contas, temos que ser pragmáticos nesses tempos bicudos. Mas desisti por não querer fanaticóides adoradores de Van Damme me enchendo o saco em meu perfil.

Falando em tempos bicudos, todo final de ano (a partir do início de dezembro e, particularmente, nas duas últimas semanas deste mês) se torna bicudo pra muita gente. As notícias se tornam imbecis, repetitivas e inúteis, versando todas sobre temas estúpidos como "o que comprar com os 30B da mega sena"; mesmo que não queiramos, somos obrigados a suportar estoicamente "então é natal" ou (agora virou moda!) o "feliz natal" daquele picolé de xuxu do ivan lins (e suas versões ainda piores - sim, isso é possível! - como sambinha e sertanojo); solitários têm maior propensão ao suicídio; inadequados socialmente (e até alguns ajustados) se arrepiam à hipocrisia das festas de final de ano de firma/família (quando é o caso, óbvio!); o tempo parece que fica mais lento entre 25/12 e 31/12; as pessoas ficam com umas caras esquisitas e tudo adquire um aspecto de sursis, de indeterminação, de coisa mal resolvida que persiste até metade de janeiro... daí vem aquela merda de carnaval que prolonga essa sensação desagradável e bloqueia a bananalândia até fins de fevereiro, quando então isso aqui começa a engatinhar nas suas atividades quotidianas que não chegam a se desenvolver totalmente porque - BUM! - o fim do (agora velho) ano chegou de novo e o ciclo de arrasto negativo se reinicia!

Entretanto, existem coisas que podem minorar tudo isso e a principal é: desligue a TV. Vamos começar a quebrar com tudo aquilo que arrasta a bananalândia pra trás. Não assista "especial" daquele ignóbil que não vou nominar (aliás, não assista a "especial" nenhum!). Não assista "retrospectivas" de merda nenhuma. Esses últimos anos têm sido tão cagados que é de adoecer corpo e espírito recordar qualquer coisa passada no aspecto macro. Não assista telejornais, principalmente os sangrentos (aqueles do final da tarde). Mande são silvestre à putaquelospariu. Não assista novelas, abraaões, policialescos, barracos, ratinhos e "domingos legais", cancros graves que imbecilizam e anulam qualquer capacidade cognitiva e tornam depressivo qualquer início de semana (na verdade, qualquer dia dela!). Se você acorda na segunda-feira amaldiçoando mais um sagrado dia de trabalho, é porque na sua cabeça ficou maquinando tudo de negativo que inconscientemente foi absorvido vendo aquele deplorável capacho atiçando miseráveis a se estapearem (pra ficar só no básico). Morro de rir (sim, morro de rir) daquele povo que se "deprime" quando ouve o tema daquela tranqueira de fantástico. Deviam levar com um relho no lombo porque não sabem o que é depressão! Não perca tempo com telepregação fanático-estelionatário-apocalíptica (principalmente as antivaxxers). Tá sobrando um dinheirinho e quer fazer algo útil com ele para outras pessoas? Doe para obras de sua cidade, aquelas que você pode investigar e cobrar. Não o jogue fora nessas "campanhas" safadas cuja transparência é aquela que eles mesmos te dão.

Fique longe de TV. Ou use-a pra jogar videogame ou (re)ver um filme preferido. Vá à biblioteca pública da sua cidade e retire-se com uma pilha de livros. Melhor ainda: fique e leia por lá. O ambiente de uma biblioteca é uma das coisas mais saudáveis do mundo (e Machado, Zola, Eça, Azevedo, Steinbeck, Hemingway, Dostoievski e Tolstói são uns puta companheiros)! Saia por aí e ande sem destino (se morar numa cidade apropriada a esse tipo de atividade. Não me vá deambular em São Paulo, Campinas ou Hell de Janeiro!). Sente-se à frente da sua casa e beba uma cerveja. Não bebe cerveja? Beba uma Coca. Beba água! Recorde-se de coisas boas da SUA vida. Mas deixe TV de lado. Deixe até um pouco Internet de lado. Ela ficou feia igual à TV.

Eu sei que é difícil. "Roméro da Costa Machado" disse no seu livro "Afundação Rede Globo" que TV é o esporte preferido do brasileiro médio e que a adoração à vênus platinada chegou num fervor de admiração que não admite qualquer contestação. Isso não é coisa pra agora. É pras gerações seguintes. Meus filhos mal sabem que globo ou qualquer desses canais abertos existem (porque não tem como esconder isso de ninguém pra sempre) e não ligam pra eles. Espero que das próximas gerações em diante TV na bananalândia seja nada mais do que mais um eletrodoméstico pra assistir uma bobagenzinha qualquer despretensiosamente de vez em nunca. A partir daí é que pode ser que exista Brasil, com "B" maiúsculo e com status de país de respeito.

E vamos a 2022. Só mais um ano e todo esse pesadelo acaba! Força!