quarta-feira, setembro 02, 2026

Uma das frases mais sábias da existência humana:

 "It depends on your state of mind the way things grab you."

(Oscar Benton, interpretado por Peter Coyote em Lua de Fel, 1992)

A primeira vez que assisti Lua de Fel (Bitter Moon no original) foi em 1994, no CAMECC (Centro Acadêmico da Matemática, Estatística e Ciência da Computação) da UNICAMP (onde então eu fazia minha graduação), por ocasião de uma greve que paralisou a universidade por longo período (e que, se bem me lembro, me ferrou em Cálculo II, cujo professor - o Irineu! - nos aprovou nas coxas). Como eu não conhecia muito bem a dinâmica da instituição naquele tempo, recém-entrado que eu era, ia todos os dias pra lá pra ver se rolaria aula ou não. Não rolava; então eu acabava indo pro tal CAMECC, que disponibilizava uma mesa de sinuca, uma estante com alguns livros e uma televisãozinha + videocassete. Às vezes os responsáveis botavam uns VHS pra rodar e foi aí que travei contato com esse excelente filme (apesar de ter sido feito pelo judeu polaski), baseado na obra homônima de Pascal Bruckner. Aliás, se tem uma coisa da qual posso me orgulhar, é da existência do único exemplar deste livro na biblioteca da FURB por obra minha: quando lá estive trabalhando (entre 2004 e 2010), pedi, na condição de coordenador do curso de Engenharia de Produção, pra que se adquirisse um exemplar pra biblioteca e - surpreendentemente! - fui atendido! É claro que eu não esperava por isso, principalmente porque era obra absolutamente nada a ver com minha área de atuação e formação e, ainda assim, toparam comprar! Na minha última ida pra Blumenau em julho deste ano, passei pelo campus central da universidade (cara, como isso encheu meu coração de uma alegria quentinha... foram ótimos anos da minha vida o tempo vivido nesta bela cidade!) e fiz questão de mostrar pros meus meninos o livro que, infelizmente, nunca foi traduzido para o português. Como meu francês é insuficiente, também nunca o li e nunca quis comprar pra ter em casa. Taí uma sugestão pras editoras brasileiras, sempre preocupadas em lançar lixo de auto-ajuda em vez de obras verdadeiramente interessantes.

Lua de Fel - o filme - é perturbador em todos os aspectos: na história, nas cenas, nos atores escolhidos pra desempenhar os personagens adaptados, na trilha sonora do Vangelis... é uma película que reuniu todos esses elementos numa atmosfera tão única que causa arrepios. Eu costumo dizer que seria um ótimo "estudo de caso" em qualquer disciplina dum curso de Psicologia ou residência em Psiquiatria.

A frase que motivou essa postagem é muito forte porque mexe com uma das minhas principais características, a respeito da qual discorri brevemente já há muito tempo. Naquela época havia dito que talvez discorresse sobre isso com mais profundidade. Bem, passaram-se quase seis anos e eu ainda não me acho pronto para isso. Sinto muito! Mas talvez eu volte ao tema, aí sim com profundidade.