terça-feira, fevereiro 22, 2022

Adeptos do traste e os restos de rico

Li uma muito boa já há algum tempo: que era ruim chamar os fanáticos adeptos do traste que ocupa temporariamente o planalto central de "********istas" porque o sufixo "ista" remete a coisas boas como profissionais e praticantes de esportes: dentistas, motoristas, alpinistas, analistas e etc. No lugar, o comentarista propunha chamar semelhantes estupores de "********entos", que rima com gosmento, nojento, melequento, sebento e assim sucessivamente. Boa idéia essa!

Uma coisa que percebi nesse meio gosmento é a preferência automobilística pelo Compass, integrante do segmento pobre premium que a Jeep espertamente criou pra faturar em cima dessa classe mé(r)dia craquenta (olhaí outra rima!) que perde a academia, o tênis e o balé mas mantém o status sambando por aí com essa carroça cheia de prástico por dentro (ou com sua versão aranha da faria loser, o tal de Renegade); sim, porque carro(ça) + academia/tênis/clube/balé/pilates/whatever ao mesmo tempo não dá! Tampouco chegam numa Grand Cherokee! É impressionante: é olhar pra um desses e ver o adesivinho do diabo, quando não adesivam o vidro traseiro todo com a bandeirona do braziu e embaixo a máxima dele e dos seus asseclas (que vou omitir por bem aqui)!

Numa outra leitura, vi que enquanto ambos estão andando e funcionando, muito que bem, mas quando precisam de manutenção, os ********entos esperneiam porque qualquer manutenção custa no mínimo o dobro de carros mais normais. E lá se vão 15K consertando isso, 10K consertando aquilo... ué! Cadê o planejamento? Ou achavam que iam andar a vida toda com as carroças e elas nunca iam dar pau?

Aliás, outra subcategoria deprimente dessa crasse mé(r)dia é formada pelos entusiastas dos restos de rico, nome geralmente dado a carrões de luxo que eram verdadeiras ostentações suntuosas em seus tempos áureos (coisa de no mínimo 10 anos atrás) mas que hoje, mesmo que estejam estética e mecanicamente bons e aceitáveis, constituem verdadeiras arapucas para quem "investe" nelas, achando que vai abafar as bancas (no link acima você entenderá o porquê).

Tenho um colega de trabalho que caiu nessa armadilha. Ele pegou um desses jipões chiques Mitsubishi, resto dum juizote de direito qualquer aí. Na primeira troca do óleo do câmbio automático cheio de firulas, quando o orçamento informou que 1500 reais seriam só pra tirar o óleo velho (ou seja, não foi incluída a mão-de-obra pra colocar o óleo novo e nem o valor do óleo em si, fora eventuais peças/manutenções adicionais), ele imediatamente passou o enrosco pra frente e pegou uma Saveiro! Palmas pra rapidez com que o bom-senso lhe bateu às portas!

Eu não posso falar nada porque eu também tive um resto de rico, que foi um Tempra SW. Na época (lá pra 1994 ou 1995) isso era o cúmulo do chique, embora a opinião geral seja de que é um carro feio bagarai (minha patroa incluída nesse grupo). Eu, ao contrário, sempre achei o máximo! Aquele painelzão digital eu achava demais! Eu peguei um no final de 2004 (ou seja, já totalmente decadente) que sobreviveu comigo até 2006 ou 2007. Em 2005 eu dei uma porrada com ele que destruiu toda sua frente e nunca mais o carro ficou bom porque só passou pela mão de incompetentes, na minha tentativa de consertá-lo gastando o mínimo possível. Quando suas manutenções, além de caras, começaram a ficar constantes a ponto de se tornarem despesa fixa mensal, não pensei duas vezes em passá-lo adiante, embora com certo pesar. Depois dessa, parei com isso de querer ter um carro bonzão sem ter cacife pra sustentá-lo.