quinta-feira, abril 28, 2022

Aproveite!

Será a ÚNICA vez que você verá uma postagem minha sobre alguma coisa relativa a réri poter (se você tem mais de 15 e é fã(1), então precisa urgente de auxílio profissional!). É que o articulista mandou tão bem no trecho abaixo que não resisti comentar sobre ele (os grifos são meus). Importante: essa observação vale pra qualquer universo ficcional, sem exceção!

"A cultura pop atual é contaminada por um séquito de fãs, todos com boletos para pagar, que acham que fazer cosplay em uma convenção nerd anual os credencia como entusiastas melhores que outros. Não são. Em vez de continuar buscando agradar a essa turma com conceitos 'adultos' de 'Animais Fantásticos', uma trama povoada por gente tão chata quando os fanáticos fervorosos, seria bem melhor desenvolver uma nova história, com protagonistas que mal se barbeiam, para que os verdadeiros fãs de 'Harry Potter' - as crianças! - sintam-se representados."

Leia o (excelente) artigo completo aqui (desabilite o Java Script do seu navegador).
 
Uma coisa é você admirar produtos da cultura pop (vou me restringir a ela aqui!) e investir seu tempo/dinheiro(2) na manutenção de coisas que te tragam boas lembranças associadas a eles. Por exemplo, meus Game&Watches e meus itens de MSX me garantem horas de mergulho nas minhas boas recordações, a tal ponto que saio desses encontros comigo mesmo completamente renovado para as batalhas do dia-a-dia por semanas a fio. Já comentei (em algum lugar deste blog) que é necessário, absolutamente necessário, que todo mundo tenha seu momento de privacy(3), um tempinho de solidão benéfica, para reflexão sobre a vida na companhia de coisas queridas. Simplesmente vê-las a seu lado já traz um conforto inexplicável para a alma. Sim, é mais simples do que parece! Pegue as coisas que te fazem bem e disponha-as sobre a mesa do seu escritório. Sente-se ao lado e apenas olhe para aquilo tudo. Não há como expressar a paz que isso proporciona. Apenas faça, excogite!
 
Outra coisa é você criar vínculos com as coisas queridas de sorte a se achar o verdadeiro dono delas e se apropriar de tudo que a elas esteja relacionado, agindo para com outras pessoas com ciumeira desabrida, desconfiança infantil ou mesmo ódio homicida (não é exagero) caso elas tentem penetrar em sua bolha, não concordem com sua visão de mundo a respeito delas ou, de algum modo, "desmereçam"(4) os elementos que formam este mundo.
 
É nessa categoria que entram os fãs. Não os fãs "comuns" (se é que há alguma normalidade em ser fã de algo), mas os "devotos", aqueles que mudam seu modo de vida e seu comportamento para se amoldarem à visão ideal que têm de um outro mundo ao qual não pertence, mas forçam a barra para pertencer.
 
Star Trek, Star Wars(5), Friends, 90210 (o famoso "Borrados no baile", segundo a saudosa Mad), Melrose, seriados adolescentes genéricos de Disney e outros canais infantis menos cotados, Lost e outros seriados mais moderninhos com temáticas transcendentes, místico-religiosas, misteriosas, conspiracionistas, polêmicas (e etc.), RPG, Chaves/Chapolim, Senhor dos Anéis, Indiana Jones, James Bond, Beatles, Michael Jackson, New Kids on the Block e demais "boy bands", Pink Floyd, MPB (não é cultura pop mas o nível de fanatização é o mesmo), o próprio réri porter(6)... tudo isso teve (e ainda tem) potencial de criar verdadeiros zumbis despersonalizados que se anulam em função de viver num mundo paralelo em que eles são o centro e todos os personagens destes mundos gravitam à sua volta para satisfazê-los. Semelhante desconexão com a realidade tem muitas causas e não vou discuti-las aqui, até porque não sou psicólogo, psiquiatra ou psicoterapeuta. Procuraí que tu acha farta literatura a respeito!
 
Gente que batiza filho com nomes de personagens desses mundos, gente que se veste como eles, adota suas posturas, suas falas, seu modo de ser, que cria fãs-clubes, que debatem por horas intermináveis calorosa, ardorosa e até agressivamente episódios, a mensagem por trás deles, as intenções ocultas de frases de personagens em fóruns, chans, presencialmente em outros grupos... até mesmo no artigo referenciado se mencionam fãs "dando consultoria" sobre como devem ser episódios futuros dos seriados de que se apropriaram (!!!!)...tudo isso pra mim representa um desvio sério de personalidade/caráter que deve ser investigado por profissionais habilitados.
 
É como uma vez em que fui crucificado por fanáticos por Game&Watch (sim, eles existem, mas nenhum no Brasil... até porque colecionar Game&Watch na bananalândia é um hobby extremamente custoso, coisa de nicho, elite mesmo!) simplesmente porque achei uma merda um Donkey Kong (multi screen) todo rabiscado na chapinha frontal pelo tal de Miyamoto, o cara que inventou o icônico gadget. Sei lá quem num fórum desses da vida ostentou esse modelo com o "autógrafo" do japa e eu me manifestei dizendo que nem ferrando que ia querer um artigo de coleção rabiscado daquele jeito! Pronto! Foi o suficiente pra que um bando de adultos oligofrênicos histéricos quisessem minha cabeça, como se eu tivesse cometido a mais grotesca das heresias porque critiquei um brinquedo que, na época, era recomendado pra crianças até uns 12 ou 13 anos. Viram onde quero chegar? Quando o culto a algo desencadeia nesses psicopatas reações exacerbadas em direção a pessoas que jamais sequer conheciam até alguns segundos atrás, passou da hora deles procurarem ajuda e caírem dentro do remedinho tarja preta porque toda a normalidade morreu aí.
 
Em resumo: quer gostar de alguma coisa? Goste, mas não deixe que isso mude sua existência a ponto de viver em função dela. Esses caras de Lost, Friends, borrados no baile e etc. não vão pagar suas contas, as mulheres desses seriados (e as parecidas com elas na vida real) não vão dar bola pra você e agir como um agente secreto, um arqueologista ricaço excêntrico ou um "darth vader"/"spock" não vai tornar sua vida mais interessante e nem menos encrencada porque, tirada a roupinha de Star Wars depois de brincar com um sabre de luz ou de voltar pra casa após percorrer saltitante o caminho cantando tema de elfo do Tolkien, todos os seus problemas estarão lá, esperando pra te afligir, a menos que você tome atitudes de adulto para se livrar deles de uma vez. A moderação é o equilíbrio do universo.
 
NOTAS
(1) Se você é pai (como eu) ou mãe, talvez tenha que acompanhar seu filho assistindo os filmes da franquia. Sinceramente, acho todo esse mundo tão infantiloidemente bobo, tão tipicamente inglês, que deixo à minha patroa essa inglória tarefa por realmente não agüentar tanto papo furado. Seja como for, uma coisa é assistir com os filhos e esquecer tudo isso quando ainda estão passando os créditos na tela do cinema. Outra é você comprar a idéia e achar que é qualquer um dos caras desses filmes (só sei o nome do réri porter, pois é o que dá título a eles. Desculpe!);
 
(2) Veja que não falei nada sobre o montante investido. Cada um gasta o quanto quer e pode. E tem gente que ainda gasta o que não tem!
 
(3) Eu não tenho mais saco pra vasculhar Internet em busca de conceitos. No caso, eu queria encontrar uma definição de privacy relacionada tão-somente ao direito que uma pessoa tem de querer estar metida com seus pensamentos sem ninguém por perto pra encher o saco. Mas tudo que encontrei (ao menos nos primeiros links) foram assuntos sobre privacidade de dados, aquelas merdaiadas todas ligadas ao que você coloca sobre você mesmo na rede. Nada a ver com o que eu precisava. Mas acho que você entendeu o que eu quis dizer, né?
 
(4) O fanático é tão desconectado da realidade que criticar a voltinha da letra do nome do filme na tela do cinema já desencadeia uma fúria homicida no maluquinho!

(5) Update de 05/05/2022: depois de ler isso aqui, convença-me de que estou errado sobre a necessidade de tratamento psiquiátrico urgente para fanáticos...

(6) Update de 06/05/2022: interessante que depois que publiquei essa postagem, as demências não param de surgir. Agora são maníacos jogando lixo em praias do Reino Unido por causa dessas merdas de filmes de réri porter... bem... quem pariu Matheus que o embale, né? Vocês que lutem agora, ingleses! Estão apenas tendo que lidar com sua própria posição no mundo, muito bem definida como li algum tempo atrás: "Alemanha inventa, França dissemina e Inglaterra executa (acréscimo meu: 'e o resto do mundo se fode!')".