sábado, maio 14, 2022

FS-A1GT de novo? Por quê? Porque SIM!

Este blog mantenho por desfastio, pra de vez em quando botar minhas idéias no "papel digital" ou pra registrar pensamentos que ocorrem em diferentes fases de minha vida. Um ou outro amigo lê e comenta por fora. Ultimamente, aliás, tenho mantido desligada a caixa de comentários porque realmente não faço questão nenhuma sequer de recebê-los, quem dirá lê-los ou, mais ainda, respondê-los. Não quero isso pra minha vida não. Amigos sabem onde me encontrar e, se desejarem, comentam o que escrevo privativamente, para uma troca de idéias que não consigo mais fazer (ao menos de modo fácil!) pessoalmente, coisa de que sinto saudades (mas isso não vem ao caso agora).

Uma das coisas que faço aqui é escrever sobre o que me faz bem. E meu FS-A1GT me faz muito, mas muito bem. A sensação que tenho enquanto proprietário de uma máquina assim é idêntica à que Clarice Lispector descreve em seu maravilhoso, delicado e profundo conto Felicidade clandestina. Leia-o e você entenderá o sentimento.


Figura 1: MSX Turbo R modelo Panasonic FS-A1GT em seu lugar sagrado (visão 1).
 
  
Figura 2: Eu não acho essa máquina feia. Mas também não a acho bonita. Nesse quesito, o design dos Hit Bit da Sony dão um show de beleza e elegância (principalmente o HB-F1XV). Entretanto, internamente, o XV é cheio de gambiarras (veja as fotos do link acima), coisa que não acontece os micros da Panasonic, muito mais bem arquitetados e sem aquele monte de fios atravessando a PCB de ponta a ponta!
 
 
 Figura 3: Os modelos FS-A1WX e FS-A1WSX, todos pretos, são absurdamente mais elegantes do que seus sucessores FS-A1ST e FS-A1GT, inexplicavelmente envolvidos por um case cinza claro horrível. Acho que esse foi o único erro de design da Panasonic.
 

Não é um micro novo (em três anos fuçando em leilões virtuais do Japão, encontrei apenas uns DOIS em estado NOS(1), com seus donos pedindo valores irreais. Não, não chego a esse nível de loucura. Faltam-lhe uns poucos itens para que eu possa considerá-lo completo como NOS e não tenho mais a esperança de encontrá-los soltos pra vender. Ele veio com alguns problemas que foram consertados. Enfim, é uma máquina velha, com (pouquíssimos) sinais do tempo, mas se tornou algo muito caro para mim, por tudo que o padrão MSX significou (e ainda significa) em minha vida.

Não foi barato deixá-lo num estado de conservação que hoje julgo quase impecável, mas valeu cada centavo investido nos processos que profissionais gabaritados executaram para que este equipamento chegasse à quase perfeição. Não tenho medo nenhum de afirmar que é o Turbo R mais completo, bem conservado e bem cuidado deste canto da América.

Passo longe de ser um colecionador de computadores antigos. Por ordem de importância de fatores: não tenho saco para manter um batalhão de máquinas velhas, não tenho tempo para estruturar qualquer logística de pô-las em funcionamento (pois isso é que nem carro: se não colocar funcionando uma vez por semana, arrebenta tudo rapidinho!), não tenho espaço para guardar tudo(2) (e nem quero ter!) e não tenho conhecimento nenhum em Eletrônica para consertar qualquer coisa que pare de funcionar(3). Se fosse pra eu ter um segundo micro antigo, seria um Amiga 500, que me trouxe alguma felicidade também. Mas eu o iria querer como agora o MSX: turbinadão. Na época em que o 2+ arrasava corações, não passei dum HB-F1XDmk2 (MSX2 da Sony). Depois, com o Amiga, jamais passei dum Amiga 500 com só 0.5MB de RAM. Sequer a expansão de mais 0.5MB consegui ter, o que me impedia de rodar muita coisa. Um A500 agora só seria admissível com tudo que desse pra expandir nele. Entretanto, o mercado de micros da Commodore (como de qualquer outro micro antigo) descambou para a loucura, para a demência e para viagens sem sentido, em que tudo custa uma fortuna que, definitivamente, não esto a fim de gastar. Por enquanto tá bom assim: eu, meu MSX e suas tralhas, meus G&W e suas tralhas.

NOTAS 

(1) "NOS" é uma abreviação de New Old Stock. É um termo aplicado a produtos antigos que nunca foram abertos ou foram muito pouco manuseados, mantendo todas as suas características originais, inclusive (e principalmente) um primoroso estado de conservação;

(2) Como colecionador, prefiro manter meus itens guardados, longe do alcance de luz solar, com umidade controlada e, se possível, dentro de caixas protetoras. Faço assim com meus G&W e meus cartuchos de MSX. Meu Turbo R mantenho protegido do mesmo modo. Outros colecionadores preferem expor seus itens em prateleiras cheias de iluminação de todos os tipos. Evito isso porque essas lâmpadas (por mais que digam que não!) podem afetar o plástico se ele se mantiver sob exposição contínua, acelerando as degradações naturais deste tipo de material. Processos de branqueamento (como o Retrobright) não são 100% (por mais que também digam que sim) e a chance de voltarem a amarelar/degradar é grande. Meu Turbo R mantenho "hidratado" com aplicações periódicas de silicone líquido (que deixo agir por alguns minutos antes de retirar seu excesso e secar o plástico). É o máximo que me permito fazer;

(3) Equipamentos eletrônicos antigos são extremamente temperamentais. Você pode tê-lo usado maravilhosamente bem num dia e, exatamente no dia seguinte, ele pode simplesmente não dar nenhum sinal de vida, temporária ou permanentemente: um amigo já citou um caso semelhante com um videogame antigo que ele mantém e [UPDATE DE 06/01/2024] outro amigo me relatou que seu Macintosh TV parou completamente de funcionar um dia após tê-lo usado normalmente. O grande problema desses equipamentos é o mesmo: componentes antigos (que têm prazo óbvio de validade, por maior que ele seja, já que naquela época coisas eram feitas pra durar!) que, uma vez pifados (o que se torna a cada semana mais provável de ocorrer, uma vez que eles vão perdendo suas propriedades), não têm substitutos de época (a não ser que você canibalize um semelhante - algo condenável, dependendo das circunstâncias) e nem equivalentes modernos (ou, se os há, não durarão 1/100 do tempo que o original durou ou será necessária uma gambiarra para fazê-los funcionar). Alie-se a isso a falta de profissionais realmente competentes para lidar com tal categoria de produtos (muitos são picaretas, outros tantos são fuções, outros ainda até têm algum talento mas são malandros de marca maior e os pouquíssimos realmente bons são de difícil acesso pra quem não mora nos grandes centros - a maioria deles está em São Paulo capital, como seria natural de se esperar) e teremos um cenário realmente desanimador pra qualquer colecionador de eletrônicos antigos.