sábado, fevereiro 10, 2024

O segundo sonho completado! FS-A1GT (sempre ele!)

Enquanto aquela gente colorida e alegre se compraz no rostir compulsório de epidermes democraticamente lustrosas e peganhentas dos mais diversos humores (suor, sêmen, saliva, vômito, urina, diarréia, CBML) devido ao colossal ajuntamento e compactação de corpos humanos em espaços exíguos, adquirindo (dando vazão às e/ou transmitindo) as mais incríveis e diversas doenças (sexuais, bacterianas, virais, muco-cutâneas, psicológicas, psiquiátricas), concomitantemente à tomada de providências cujas conseqüências novembrinas são mais do que conhecidas (ah! os gringos e suas chegadas aos borbotões aeroportos afora e seus assassinatos/desaparecimentos nas mesmas proporções!) e que aumentarão ainda mais o "caldeirão étnico/cultural" deste lugar como já ocorre há 524 anos, sofrendo arrastões, facadas, boas-noites-cinderelas, decepções, calorões, desmaios, insolações, desidratações, desinterias, tirações de sarros dos nativos, tudo isso entremeado por som muito alto e muito ruim e encimado por um punhado minúsculo de brancos que enchem o cu de dinheiro sobre esse miserável amálgama popularesco de baixos instintos de todas as origens, fortemente comprimidos o resto ano sob os auspícios da formação JC repressora da gente pobre da bananalândia (e que estão confortavelmente refestelados sob os ares condicionados centrais de suas mansões acusticamente isoladas), eu prefiro ficar no conforto do meu lar (embora debaixo dum calor desumano e desolador a que nem um ventilador de 10 pás dá jeito), numa região que não dá a mais remota pelota a esse curioso fenômeno sócio-econômico (a bem da verdade, ignora-o solenemente, não lhe atribuindo nenhuma importância, usufruindo apenas da vantagem indireta de serem alguns dias a mais de descanso), curtindo a minha mais nova conquista: os documentos finais que tornaram o meu MSX FS-A1GT o mais completo do Brasil (quiçá do MUNDO!), um exemplar 99.999999% idêntico àquele que você obteria se, entre 1991 e 1994, tivesse entrado numa loja de eletrônicos no Japão e o tivesse comprado à vista, pelos 99800 ienes pedidos. Vede, mortais:


Figura 1: contemple a glória dum FS-A1GT 99.999999% completo! Para mais detalhes, clique aqui!

"Aaaaaiiin, Carlão, seu porre, seu mala! Se você já conseguiu tudo que queria, por que ainda diz que seu computadorzinho está só 99.999999% completo"?

Então, deixa eu te explicar, otário: comprado novo, 100%, zero bala, na loja do Japão, ele deveria ter vindo (além de tudo isso que você já pode conferir clicando no link da descrição da foto acima) com um plastiquinho envolvendo o cabo de energia (talvez pra evitar que o plugue roçasse pela carcaça do micro e a riscasse na hora de tirá-lo da caixa), um pequeno pedaço de fita colante com uma textura de papel que embala peças de móveis em MDF prendendo a tampa do slot superior (pra ele não ficar abrindo e fechando durante um transporte, dentro da caixa) e um saco plástico (talvez de mesma textura mencionada) dentro do qual vinha o próprio micro. Já volto a isso daqui a pouco, güenta as pontas aí!

Quando tive meu segundo MSX (um belíssimo Hit Bit HB-F1XDm2 da Sony), ele era realmente completaço (peguei-o recém-comprado pelo primeiro dono, o falecido e saudoso Marcão, meu pirateiro preferido em Campinas para fitas e discos de programas e de cujos serviços eu me utilizava desde 1987, quando ganhei meu primeiro MSX - um maravilhoso Expert XP-800 versão 1.0, raríssimo hoje em dia!) e o micro vinha numa proteção plástica preta acetinada e texturizada, a coisa mais linda do mundo, coisa de japonês mesmo! Eu guardava aquela sacola plástica de proteção - uma coisa muito idiota e doentia, bastantes pessoas pensarão com certeza, mas não com razão! - como uma relíquia dentro da caixa, na qual também vinha tudinho: os manuais, o único disquetinho de sistema dentro de sua competente sacolinha e aquele adesivo que serve pra se aplicar na parte superior do micro e que eu me recusei a usar pra mantê-lo original (veja as fotos no link e tente descobrir onde esse adesivo era aplicado, eheheh!). Falando em adesivo, o meu tinha até o lindo "It's a Sony", que muitos micros hoje à venda pelos eBays, Jauces e Buyees da vida não têm (eu fico PUCTO quando mexem com algo tão inocente que não atrapalha ninguém, como uma etiquetinha de propaganda da marca!).

E já que também falei do meu primeiro MSX, esse foi ainda mais especial porque fui seu primeiro dono, fui à loja pegá-lo e eu tive o prazer de abrir a caixa e dela retirar tudo que um micro novinho em folha podia oferecer. Sim, eu tive esse privilégio (pelo qual agradeço a meus pais, que sempre se esforçaram por me dar o melhor) e a sensação de tirar teclado, CPU, manuais, o cartucho "Ligue-se ao Expert" e demais acessórios é indescritível, tudo cheirando a novo e a novidade. Os dois manuais do Expert 1.0 (não sei como era no 1.1) vinham numa pastinha plástica com aba e fechada por um botão de pressão. Coisa mais chique! Vinha mais um monte de papel dentro, coisas que guardei intocadas até - burramente - passar tudo pra frente numa operação indigna junto com outros periféricos comprados arduamente (e eu não vou falar sobre isso), pra gente igualmente indigna, assim como fiz com o MSX2 muito tempo antes (numa operação ainda mais indigna em termos de resultados, envolvendo gente ainda pior). Novamente, é claro que você vai achar tudo isso que estou dizendo besteira, exagero, coisa de gente maníaca e com tendências a TOC (ou ao caralho da moda que for). Felizmente, cago baldes para o que você acha e quero mais é que você se foda. Caso, entretanto, você se delicie com minhas descrições e meu palavreado, fique à vontade para aqui permanecer, embora sabendo que não poderá opinar (cheguei na fase de cagar baldes para opiniões alheias, com a graça de Deus, e não quero ninguém opinando num espaço que é meu e que uso para meus próprios "desabafos" pessoais - "desabafo" não seria a palavra certa, mas também não vou explicar isso não, tá?).

Onde eu estava mesmo?... Ah, sim, pois bem: eu sou de opinião que se é pra ter, então vamos ter BEM TIDO (o cacófato foi inevitável e eu também não encontrei nenhuma expressão equivalente que reflita essa sensação de modo mais culto, então fica assim mesmo). Não vejo necessidade nenhuma de colecionar MSX, muitas e muitas máquinas soltas, como vejo um monte de gente fazendo. Primeiro que MSX teve pra caralho. Teve modelo a dar com pau, dos fabricantes mais consagrados aos mais esquisitos e obscuros. Entrar nessa vibe colecionatória exige, no mínimo dos mínimos, que você delimite o que quer colecionar. Quer ter todos os modelos apenas de Sony? Beleza, mas saiba que teve um montão, alguns bem raros, e que você vai precisar de grana e espaço pra isso. Sem esse "discernimento" (e mostra que você já não o tem muito bom quando se decide a isso!), você vai à falência rapidinho. Já vi maluco aí com mais de 30 ou 40 micros diferentes. Pra quê? Mas se ele quer ter, tenha ué! Aqui externo apenas a minha opinião pessoal e intransferível, reservando-me o direito de criticar posições e ações. Segundo (já falei sobre isso no "primeiro"): espaço. Eu tenho aqui apenas o FS-A1GT. Ele ocupa um espaço considerável na mesa do computador, a ponto de esta mesa ser praticamente pra ele e pro meu notebook particular, que ocupa bem menos lugar e compartilha o monitor LCD com esse meu MSX. Imagine ter 30, 40 (ou mais) máquinas? Imagine menos: imagine ter só uns 5 MSX que sejam, vai! E nem estou falando de paquidermes como CP-500, Sistema 700, Cobras, Labos, Nexus e outros monstros que precisam de dois pra carregar! Estou falando de máquinas pequenas. Vai botar tudo isso onde? Se tu tem condição de/espaço para montá-los lado a lado, cada um com um monitor, podendo ligá-los individualmente (como já vi), maravilha! Aliás, acho isso lindo e até me dá uma invejinha! Do contrário, manter tudo enfiado num armário é meio osso, hein? E se ainda rolar a lombriga de ter full sets, com caixa e tudo, aí fodeu de vez! Ou se tem uma esposa que topa isso (spoiler: nenhuma topa, a menos que se tire algum benefício disso - e isso é outra discussão filosófico-sócio-matrimonial que não farei aqui), ou é-se solteiro. Terceiro (e também já falei nisso no "primeiro"): grana. O mercado de retrocomputação/retrojogos está passando por uma fase de expansão (chegará o momento fatal em que essa bolha furará e nossos velhos equipamentos não valerão uma rosca, mas creio que isso demora ainda!). Computadores antigos estão sendo vendidos a verdadeiras fortunas, alguns valendo mais que notebooks/desktops de ponta ou quase. Se meter a colecionar, nesta fase de aquecimento, é loucura. De novo: ou se tem uma esposa que topa isso (e o spoiler agora é ainda pior: não há NENHUMA que tope, principalmente se não for pra operações mercantis de troca/comércio que resulte em alguma grana pra casa!) ou é-se solteiro RICO (veja que até aí a exigência é maior). Por fim, quarto (mas não menos importante. Diria até que é o mais importante!): conhecimentos de Eletrônica. Estamos falando de máquinas de, no mínimo, 30 anos. Uma hora isso vai começar a dar pau. Tenho um amigo que tem uma pequena coleção de microcomputadores pessoais e cuida delas extremamente bem. Pois então: do nada, um dia aí, duas delas começaram a dar problema, uma apresentando um problema mais simples (que foi rapidamente consertado) e outra (a mais valiosa e rara) dando uns paus sérios e bem esquisitos, sendo que, um dia antes, a máquina tinha sido ligada, usada e testada, não apresentando UM probleminha! A sorte é que ele tem ótimos conhecimentos de Eletrônica (embora não seja profissional da área; é apenas um hobbista entusiasmado ou um diletante, na boa acepção do termo) e um suficiente laboratório, no qual ele mesmo conserta (ou pelo menos tenta até onde dá!) seus equipamentos. Aí sim é possível se pensar em ter mais de um computador. Eu, por meu turno, não manjo picas de Eletrônica e menos ainda da parte técnica, de "mão na massa". Quando peguei o FS-A1GT, ele veio com uns probleminhas de funcionamento e, por muita sorte e conjunção de fatores favoráveis do destino, consegui encaminhar esse micro para um rapaz extremamente talentoso em "Retro-Eletrônica" que não apenas consertou os problemas aparentes como outros que ele detectou na análise do equipamento, tendo trocado alguns capacitores, feito outros reparos, e o deixado numa condição excelente de uso por mais um bom tempo. Se algo desse errado HOJE, eu não conseguiria jamais enviar o micro a ele novamente e ele ficaria encostado aqui em casa, pois a Eletrônica de equipamentos como esse só é acessível (pelo conhecimento demandado, que não é qualquer um que tem) a uma quantidade ínfima de pessoas e, mesmo dentre essas, um subconjunto ainda menor (reduzindo drasticamente essa quantidade a, talvez, duas ou três pessoas NO BRASIL - e isso não é exagero!) é de gente em quem você pode confiar cegamente e entregar seu precioso micro para conserto. Claro que isso tem um custo alto e é necessário estar preparado pra morrer numa grana legal pra ter a máquina em boas condições novamente.

Isso tudo posto, bem explicado e mastigado, explica o motivo de eu querer ter apenas UM MSX, mas que representasse o que de mais completo e melhor houvesse na época, motivo pelo qual me empenhei durante cinco longos anos em juntar tudo que viesse na caixa dum FS-A1GT. Na época em que consegui esta máquina, ela veio numa caixa bem "debilitada" (apesar da presença dos raríssimos de proteção), um cabo de áudio/vídeo fake mas funcional e apenas três dos quatro manuais). Tudo que hoje você pode contemplar na galeria de fotos que mantenho no Flickr e faz a glória do meu modelo foi resultado de garimpo, trocas, escambos, pequenas compras e favores concedidos a algumas pessoas especiais pelos quais recebi algumas retribuições importantes.

E por que eu falei tudo isso? Voltemos à ponta solta que eu tinha deixado lá em cima. Eu até posso chamar o meu conjunto de um full set real, se nos ativermos à definição de que um full set significa a caixa de um equipamento com tudo que tem dentro de aproveitável. Quem é que guarda plastiquinhos, sacolinhas e até os araminhos que deixam os cabos bem amarradinhos? Ora, EU, cacete! E pode ser que até tenha mais gente que faça isso! Mas como eu não tenho sacolinha plástica onde guardar o micro, o saquinho onde se guardou a ponta do plug de energia elétrica e o pedacinho de fita texturizada que segurava o slot superior do micro, não posso dizer que tenho um conjunto 100% fiel ao da época. Quer dizer, uma sacola plástica reba eu até tenho pra guardar o micro, mas comprei na loja dum gordinho aqui perto e ela não tem a mais remota graça, de tão comum, convencional... medíocre mesmo... que ela é. Se eu não tivesse visto UMA foto... uma ÚNICA FOTO de um FS-A1GT recém-saído da caixa com esses itens (plástico texturizado, fitinha colando a tampa do slot e um plastiquinho protegendo o plugue de tomada), ficaria de boas. Mas como eu vi que tem e eu não tenho...

Seja como for, não posso reclamar pois meu FS-A1GT é um dos, se não for O mais completo do mundo e duvido bastante que alguém o tenha no mesmo nível que o meu. É mais um sonho de juventude realizado depois do primeiro. Com relação a MSX, agora, estou plenamente satisfeito!