domingo, maio 05, 2024

Coisas que me irritam (II): o mal uso do "júnior" e do "neto".

Na maravilhosa série "Knight Rider" havia um personagem chamado Reginald Cornelius III, vulgo RC3, interpretado por Peter Parros. Num idioma de raiz Anglo-Germânica (sim, amiguinhos, o inglês enquanto idioma pertence ao ramo mais alto das línguas germânicas), isso significa que Reginald Cornelius III é filho de Reginald Cornelius II e neto de Reginal Cornelius, uma maneira carinhosa de perpetuar nomes de família queridos.

Em línguas latinas, junior significa "mais jovem em relação a outro" ou, ainda, "filho de pai com o mesmo nome". Assim, no nosso exemplo, teríamos corretamente para o pai do RC3 o nome de Reginald Cornelius Junior. Também serve em português, sendo que aí o Reginald do seriado se torna Reginald Cornelius Neto, filho de Reginald Cornelius Filho ou mesmo Reginald Cornelius Junior.

Já deve ter dado pra perceber, portanto, que Fulano Neto é neto de Fulano, Fulano Junior é filho de Fulano, que "Neto" e "Filho/Junior" se usam nos finais dos nomes dos antecedentes parentais diretos, etc. e etc... em casos mais raros, faz-se homenagens até aos tios, chamando-se o filho de Fulano Sobrinho (mais daí eu já acho meio forçação de barra!).

Bem... não é assim que funfa na bananalândia. Por aqui, Neto é sobrenome e Júnior se usa das maneiras mais arrevesadas e tortas possíveis, numa demonstração pungente de "gonorância" do significado das palavras. Exemplos:

1) O pai chama Mané da Silva. E ele registra o filho como Mané Junior da Silva (putz!);

2) O pai chama Zé de Sousa. O filho fica Zé Junior Oliveira de Sousa, sendo que o "Oliveira" veio da mãe, no modo como se costuma dar nomes aos filhos por aqui (primeiro o sobrenome da mãe, por último o do pai) (putaquepariu!).

O segundo caso é ainda pior porque o filho carrega também o sobrenome da mãe! Fica, pois, completamente despropositado o uso do Junior (que já está em posição errada), uma vez que o filho não tem o mesmo nome do pai.

Do mesmo modo como proíbem que se dêem aos filhos nomes flagrantemente vexatórios, bizarros, escrotos (não acredito nem um pouco naqueles memes de Internet com relação a isso) ou que nada tenham a ver com a família (por exemplo: pai Zé da Silva, mãe Maria Pereira e filho Antônio Hollingworth), os cartorários deviam ser treinados a impedir esse péssimo uso do Filho/Junior nos nomes das crianças que são registradas em seus estabelecimentos.

Enquanto isso não ocorre, sigo me arrepiando toda vez que vejo esses juniores mal postos e toda vez que as pessoas dizem que "preferem uma coisa DO QUE outra" (outro idiotismo brasucóide)! Brrrrrrrrrrrr!

[UPDATE DE 29/04/2025] Descobri mais uma imensa besteira no uso de "júnior" e "neto". Tem um sujeito que se chama FULANO NETO e ele tem um filho que se chama FULANO JÚNIOR! Ou seja, o júnior é filho do avô e o pai é filho do filho! PUTAQUEPARIUUUUUUUUUUUUUUU!