sexta-feira, fevereiro 20, 2026

Ingratidão

IMPORTANTE: isso aqui era pra ter sido publicado logo após a última postagem (do dia 18/01/2026)... um ou, no máximo, dois dias depois. Mas eu sou meio preguiçoso pra escrever nesse blog (no início até que eu não era!) e, sendo um cara casado, com filhos e com um trabalho árduo, nem sempre se combinam as condições necessárias e suficientes pra que eu bote a bunda na cadeira e me ponha a escrever. Esse texto, em particular, tem sido escrito por partes, ao longo de dias, e hoje () é que ele foi concluído. Isso posto, leia-o como se ele tivesse sido publicado em 19/01/2026 ou 20/01/2026.

É tolice negar, minimizar ou mesmo ignorar a importância das redes sociais nos relacionamentos atuais. Não apenas elas vieram para ficar definitivamente, como passaram a moldar as dinâmicas entre indivíduos de todas as classes sociais e de todas as faixas etárias, numa insólita e improvável simbiose que, se não reverte em ascensão social pela maior possibilidade de contato da classe mais pobre com uma classe mais rica que poderia lhe propiciar melhores condições profissionais(1), ao menos democratizou e universalizou semelhante natureza de contatos.

É claro que, dentre as muitas conseqüências dessa dinâmica, surge toda uma nova netiquette(2) envolvendo comunicadores instantâneos (zapzap, Telegram, Signal, etc.), redes sociais variadas (Fuckbuck, Estragram, etc.) e sites para postagens de opiniões (Threads, Xuíter, etc.). Uma boa convivência nas redes é o reflexo da boa convivência real, e quem tem uma vida real equilibrada, correta e boa tende a replicar isso nas redes... isso se estivermos nos referindo a pessoas normais, uma vez que há (e em imensa quantidade, infelizmente) gente com tendências psicóticas, esquizofrênicas e/ou a quaisquer outras doenças mentais que você queira (da moda ou não) que encontraram no ambiente virtual um "local" perfeito para dar vazão a loucuras e a demências que jamais teriam coragem de externar na vida offline, junto a pessoas de carne e osso. E é aí que aparecem os stalkers, os golpistas dos mais diversos matizes, os haters, os flammers, os MGTOWs (e suas vertentes mais perigosas como os redpills e os incels) e muitos outros degenerados, contribuintes para uma Internet pouco segura nos dias que hoje vigem.

Mas restrinjamo-nos a fatos mais prosaicos e corriqueiros do dia-a-dia virtual, os quais, mesmo carregando aparente simplicidade, podem causar danos psicológicos: trata-se do ignorar. Como deve ser de conhecimento público, o ato de ignorar denota falta de comprometimento, desprezo e pouco caso. Na vida real, ignorar significa você não dar a mínima pra alguém ou alguma coisa; significa que aquilo ou aquela pessoa estar ou não estar ali não faz a mais remota diferença. Ignorar é muito mais forte do que odiar ou querer mal, porque odiar e querer mal significam sentimentos ainda presentes relacionados a alguém, enquanto ignorar é equivalente ao desprezo, ao fato de que a pessoa pode estar estrebuchando na sua frente que você não moverá um dedo para ajudá-la porque realmente não tem (ou passou a não ter) mais nada com ela.

No mundo virtual, ignorar, desprezar ou fazer pouco caso se revela por atos simples: uma mensagem lida no zapzap e não respondida, uma foto não curtida por alguém que você esperava que o fizesse, a ausência de comentários em uma postagem de sua autoria, e por aí vai. Muitas vezes, o desprezo de alguém causa uma sensação de ingratidão na outra parte, e é sobre isso que eu queria falar agora, rapidamente.

Tivemos eu e minha patroa em nossa história recente de vida (coisa de uns três ou quatro anos pra cá) dois casos sérios de ingratidão. Eu não ligo muito pra isso além da necessidade de colocar esse papo aqui, no meu blog pessoal, que ninguém lê, como uma espécie de registro de experiências (e é bom que ninguém o leia, pois acaba ficando um canto intocado na vastidão da Internet só pra mim mesmo! E mesmo que alguém leia, eu bloqueio comentários, de modo que jamais alguém poderá comentar além daquilo que já foi comentado em postagens antigas - e olhe que este blog fará 20 anos agora em 2026!). Só que minha esposa meio que se entristece, pois ela é uma pessoa de muito bom coração.

O primeiro caso é de uma ex-vizinha que alugou a casa ao lado da nossa, enquanto construíam a dela (com o "marido"; entre aspas porque eles eram apenas juntados - e talvez até hoje sejam! - e eu só considero que alguém carregue os augustos nomes de marido e esposa quando devidamente ligados pela lei de Deus - casamento na igreja, ao menos para nós, católicos - e a dos homens - o famoso casamento "no civil"). Ela tinha a mesma atuação profissional da minha patroa e o cara lidava com os computadores da escola onde estudam meus filhos. Ficamos próximos nós quatro, mais minha patroa com essa guria, a ponto de estarem constantemente batendo papo, ou minha esposa na casa dela ou ela na nossa. Coisa de vizinha mesmo, sabe? Aqueles papos/mexericos/fofoquinhas que sempre ocorrem entre vizinhas que descobrem muitas coisas em comum e se tornam (supostas) boas amigas. Foi uma amizade bem legal que durou por todo o tempo em que a casa deles estava em construção. Bem perto de se mudarem (pois a casa tinha ficado pronta), o sujeito conseguiu um emprego melhor, num banco, em que ganharia substancialmente mais (eu acho!). Foi a conta para isso subir à cabeça dela e começar a se achar ryca (com "y" mesmo!). Numa brincadeira totalmente inocente que minha esposa fez com ela numa DM do Instagram, nada tendo a ver com essa suposta mudança de status, a guria meio que se queimou sem nenhum motivo aparente e passou a ignorar minha amada. Pouco tempo depois, saíam ambos de mudança para sua casa definitiva, tendo rolado uma despedida muito da chocha e nenhum convite para que fôssemos conhecer a casa nova. Minha esposa, por um motivo qualquer do qual não vou me lembrar, ainda conseguiu ir lá e dar uma olhada por cima, mas eu jamais entrei. As comunicações virtuais cessaram e nós nunca mais tivemos qualquer contato com esse povo. Houve uma ou outra vez em que cruzamos com eles por aí, mas não passou de um cumprimento meio constrangedor, como se tivéssemos feito alguma coisa pra eles. E assim morreu de modo bem esquisito mesmo um relacionamento de amizade que teria sido legal continuar, pois as duas combinavam muito: bastava ver como se divertiam e riam em suas conversas. Realmente não entendi!

O segundo caso é ainda pior. Lembra da vizinha da postagem anterior? Ela e o marido viveram no condomínio quase tanto tempo quanto nós (somos os mais velhos lá(3)) e presenciamos muitas de suas brigas, pois ela era (e ainda é!) completamente desequilibrada. De ter problemas mesmo, de boa. Aqueles troços de bipolaridade, meio misturado com esquizofrenia, etc. e tal. Ambos autônomos numa profissão que, bem adminstrada, poderia fazê-los ricos (ou ao menos muito bem de vida). Só que administrar a grana não era com eles, de modo que passaram por muitas pindaíbas lascadas, chegando ao ponto de terem água cortada, pais ajudando a passar o mês senão morriam de fome, coisas assim. O problema é que ele era um molenga e ela uma deslumbradinha, ostentando nas redes uma vida social incompatível com sua constante penúria. Ainda, por mal de pecados, eram bozolóides, o que pra mim é um imperdoável desvio consciente de caráter. Mesmo assim, vai, a proximidade física e o tempo de convivência fez com também nos aproximássemos desse casal, uma vez que política não era assunto que tratássemos nas vezes em que calhava de rolar uma conversa mais longa nos finais de semana em que não estavam ocupados (pois o trabalho deles eram principalmente desempenhado nos sábados e domingos). Por motivos que não vêm ao caso aqui, o relacionamento entre eles começou a degringolar e ele saiu uma primeira vez de casa. Ela ficou sozinha com a filha e passou péssimos bocados, quando então minha esposa a ajudou de vários modos (mas nada envolvendo dinheiro). Até mesmo eu prestei uma ou outra ajuda. Passado um tempo, o cara voltou, pras coisas degringolarem ainda mais e eles se separarem definitivamente depois de alguns meses. A partir daí, virou uma chavinha na cabeça da dondoca e ela passou a nos ignorar completamente, sem causa aparente. Talvez tenha nos achado uma gentalha, ela que convivia com suas comadrinhas metidas a riquinhas, numa sociedade jovem e podre de alto a baixo, em que todos se traem entre si e agem como se ninguém soubesse, tendo ainda o desplante de aparecerem na igreja como se não estivessem atentando contra um dos Dez Mandamentos!

Mas, enfim, ela se agarrou a um novo machinho, um pobre-diabo tão feio quanto insignificante (numa prova de que realmente anda faltando homem por aí!) e se mandou do condomínio/saiu do grupo do WhatsApp. Novamente, minha esposa não mereceu a mais pífia palavra de agradecimento por tudo que fez por ela em momentos de real necessidade. Nem uma mensagem em qualquer rede social, nem um agradecimento ao vivo, nada vezes nada vezes nada. Saiu de nossa vida pra virar uma completa estranha, o que se comprovou hoje (20/02/2026), quando encontramos ela pela rua e ela mal olhou na nossa cara. Só cumprimentou minha patroa porque foi absolutamente inevitável. Eu nem olhei na cara dela, por já lhe ter birra há tempos, e quando pego birra de alguém, é pra sempre.

E é aí, nessas indas e vindas do mundo, que pessoas passam pela nossa vida, que nos tornamos etapas ultrapassadas nas vidas de outras pessoas e não deixamos marcas dignas de lembrança. Por esse motivo que temos que ser importantes para nossas esposas/maridos e filhos(as), pois amizades depois dos 30 realmente não se sustentam!

Notas
(1), (2) e (3): eu ia comentar sobre esses itens, mas meu saco ficou cheio e não quero mais falar sobre isso.