"Tendo feito duas campanhas, o velho soldado não podia tomar a sério heróis cujo mérito militar dependia sobretudo do gosto que tinham pela bebida. E esteve para contar a Katavássov que, na aldeola onde vivia, um soldado, de licença ilimitada, bêbado, ladrão e vadio permanente, se alistou como voluntário. Mas, sabendo por experiência que diante da exaltação geral dos espíritos, seria perigoso expor opiniões indepententes, contentou-se em responder, sorrindo com os olhos e interrogando, por sua vez, Katavássov apenas com a vista:
- Que havemos nós de fazer? Há falta de homens!"
O trecho acima, retirado da edição de 1982 de Ana Karenina (Ed. Abril), uma obra de 1873 (ou seja, de mais de 150 anos!) mostra bem como deve agir quem pensa fora da caixa, quem vê o que os outros não vêem e, principalmente, quem não bota num altar quem não merece (aliás, ninguém merece isso!)! Fica a dica!